SABER “DE COR” : Desafio permanente para a educação

O ser humano é um ser que esquece constantemente as suas essências, um dos grandes males de hoje. O homem inclina-se ao esquecimento total de quem é e de quem pode ser. Porém, quando sabe de cor (de coração) jamais esquece, pois aquilo lhe vai ao coração, porque ama, lembra. Assim, o desafio da educação é fazer lembrar através de uma pedagogia do amor. A vida cotidiana apresenta vários exemplos em diferentes âmbitos de convivência. Um importante nos vem da própria vida escolar: Quem não se lembra daquela professora dos primeiros anos escolares, não por seu ensino, mas porque nos deu atenção, carinho e amor?

Ninguém questiona a importância da amorosidade na atuação docente como instrumento para o ensino e fonte essencial da aprendizagem em qualquer faixa etária. De fato, aprendizagem significativa e positiva só acontece com amorosidade, do jardim de infância à livre docência, do nascimentoaté a morte.

O jornal “O Estado de São Paulo” no último dia 13 de outubro, apresentou o resultado de um recente estudo da Fundação Catar indicando que em 2030, mesmo com toda tecnologia nas mãos, a maior parte da educação será personalizada, porque “mais que conteúdo, será predominante nos colégios o desenvolvimento das competências socioemocionais. …a intimidade com cálculos ou memorização de datas dizem pouco sobre os alunos”.

“Dizem pouco sobre os alunos”! Por trás dessa brevíssima expressão está a milenar necessidade humana de ser querido, de ser amado. Nenhuma ferramenta tecnológica e nenhuma experiência científica será capaz de substituir o olhar amigo, incentivador e amoroso do educador.

ENTÃO, QUE CARACTERÍSTICAS ACOMPANHAM UM BOM EDUCADOR?

O bom educador sempre foi, é e nunca deixará de ser aquele que sustenta uma confiança básica no ser humano, sente prazer em estar vivo e atua positivamente no cotidiano cultivando a vitalidade; o bom educador é aquele que lembra eloquentemente da sua essência divina e propõe uma ação pedagógica para a abertura ao todo (Offenheit für das Ganze) – para a totalidade do ser; aquele cuja alma em festa se abre para o saber e cuja dilatação intelectual é, ao mesmo tempo “deleitação” (alegria) do coração; que concebe uma ideia universal de homem fundamentada numa ética de essência e na certeza de alcance da felicidade; que é coerente e vive o que pensa, estabelece um vínculo de educador afetivo e exemplar com quem nele se inspira; que ensina a coragem e o entusiasmo pelo novo, pelas coisas que estão além de si mesmo, pelo atrevimento de experimentar o diferente e no qual o medo de errar é suplantado pela coragem de acertar; que é emocionalmente sensível, que sente paixão pela vida, se preocupa e se interessa com os problemas reais do seu aluno acolhendo-os como um dos objetivos da ação educativa que anula o radical distanciamento entre a vida privada e pública; que desperta o desejo pela autonomia do pensamento ciente de que o aluno é sujeito do seu agir e livre para decidir seus atos e caminhos; que adota uma pedagogia do amor cuja expressão mais profunda é: “que bom que existas!” ou “que maravilha que estejas no mundo!”; e que tem consciência que o amor humano – desde a simples afeição até o mais desinteressado dos amores – nada mais é do que uma extensão, um prolongamento do amor Criador de Deus.

Este é o grande e permanente desafio do ato educativo: reaprender o abc do amor! Manter, ao mesmo tempo, um coração inteligente e uma inteligência cordial, ciente de que os amores humanos sempre serão meras analogias do Amor Absoluto, o inventor de todos os amores. Por isso, educador, lembra-te sempre quem tu és!

Authored by: natanael

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