O tabu do suicídio

O suicídio é uma das primeiras causas de morte em homens jovens nos países desenvolvidos e emergentes, e mata 26 brasileiros por dia. No Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes e jovens aumentou pelo menos 30% nos últimos 25 anos. O crescimento percentual de suicídios é maior do que o da média da população, segundo o psiquiatra José Manoel Bertolote, autor do livro O suicídio e sua prevenção (Editora Unesp). Mas, apesar desses números alarmantes, a sociedade continua não querendo tocar no assunto. O tema é tabu até para os profissionais de saúde. Nos registros do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), os casos de suicídio aparecem como “mortes por lesões auto provocadas voluntariamente”.

Segundo o psiquiatra Neury José Botega, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na década de 1990 a taxa de suicídios aumentava em todos os países do mundo, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou um programa de prevenção. “Os países que fizeram campanhas de esclarecimento conseguiram baixar os números. É importante falar do assunto”, afirma Botega, destacando que a taxa de suicídios cresce por uma conjugação de fatores. “A sociedade está cada vez menos solidária, o jovem não tem mais uma rede de apoio. Além disso, é desiludido em relação aos ideais que outras gerações tiveram”.

Por sua vez, Robert Gellert Paris Junior, diretor da Associação pela Saúde Emocional de Crianças e conselheiro do Centro de Valorização da Vida (CVV), lembra que há uma pressão social para que os jovens sejam felizes. “Todo mundo tem que se sentir ótimo. A obrigação de ser feliz gera tensão no jovem” afirma ele, deixando claro que quem pensa em suicídio está passando por um sofrimento psicológico e não vê saída, mas isso não significa que queira morrer. “O sentimento é ambivalente: a pessoa quer se livrar da dor, mas quer viver. Por dentro, vira uma panela de pressão. Se ela puder falar e ser ouvida, além de diminuir a pressão interna, passa a se entender melhor”.

Authored by: viviane

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