William – Ex-aluno da rede Luterana de Educação é modelo internacional

William – Ex-aluno da rede Luterana de Educação é modelo internacional

William - Super AgencyWilliam Witt Jagnow nasceu em Saint Louis, Missouri, EUA, em agosto de 1992, filho de pais brasileiros. Na época, a família morava lá porque seu pai fazia mestrado em uma faculdade da cidade. Depois, a família morou em Giruá, rS, e, a partir de 1995, em Porto Alegre, rS, no bairro Mont’Serrat, quando seu pai foi convidado para ser o redator-chefe da revista Mensageiro Luterano e, depois, editor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). Foi neste período que estudou em duas escolas luteranas.

Aos 15 anos ele começou a trilhar o caminho sonhado por muitos jovens e crianças, o de modelo. Aí teve que parar de estudar aos 16 anos, quando estava no Ensino Médio, pela dificuldade de conciliar o trabalho com o colégio, especialmente por causa das viagens. Para mostrar que qualquer profissão escolhida traz seus prós e contras, conversamos com o William, para que lendo esta matéria vocês também possam refletir sobre seus sonhos, escolhas e também aproveitar as oportunidades dadas a vocês através das escolas da ANEL.

Entrevista

Revista EscoLar QUAL A IMPORTâNCIA DE TER ESTUDADO EM UMA ESCOLA CONFESSIONAL?

William – Acho que o importante é que uma escola confessional normalmente não procura ficar só no básico, tipo as matérias obrigatórias. No meu caso, estudei vários anos em duas escolas confessionais, com valores cristãos: Vera Cruz e Concórdia, ambas em Porto Alegre. Como sou cristão, vivenciar ensinos e momentos escolares que combinavam com a minha fé ajudou a reforçá-la e praticá-la. Não que uma escola não confessional não possa ter bons valores, mas vi a diferença na atitude de professores e alunos quando estudei um ano do Ensino Médio em uma escola pública. E quando a escola tem um capelão, é melhor ainda.

RE POR QUE E COMO VOCê SE TORNOU MODELO?

William– Bem, foi uma construção, com altos e baixos. Quando eu era adolescente em Porto Alegre, fui abordado diversas vezes por “olheiros” de agências. Acabei “entrando” em uma agência pequena de Porto Alegre, mas logo eu e a família vimos que não ia dar certo com ela e saí. Acho que tinha 14 anos.

Quando eu tinha 15 anos, estudava inglês em uma escola particular. Minha mãe era a minha professora. Uma das alunas dela trabalhava na filial de Porto Alegre de uma das grandes agências internacionais na época e me convidou a ir lá conversar. Fui e, a convite da agência, inscrevi-me na etapa estadual de um concurso nacional para novos modelos. Fui um dos dois finalistas gaúchos e participei do nacional em São Paulo. Voltei de lá com uma proposta de contrato de exclusividade e fui morar na cidade. No entanto, por vários motivos não deu certo, e acabei desistindo alguns meses depois, voltando para casa, e fiquei vinculado a uma agência de Porto Alegre.

Por fim, em 2009, com 17 anos e já morando em Ribeirão Preto, SP, participei de outro concurso de uma agência internacional. Em uma etapa estava presente um “olheiro” de uma agência concorrente da promotora do evento. Resultado: acabei entrando nesta agência e é ela quem tem gerenciado a minha carreira desde então.

William - Super Agency RE QUAIS SÃO AS ALEGRIAS E AS DIFICULDADES DESSA PROFISSÃO?

William – Eu basicamente só trabalhei no exterior até hoje. Então vou falar só desta realidade. Ficar no Brasil a princípio é mais simples e fácil.

Pode parecer desanimador, mas não é fácil ir para o exterior. Você precisa ficar longe da família e dos seus amigos durante vários meses. Você precisa parar de estudar. Eu estou no terceiro ano consecutivo nesta realidade. Felizmente, hoje a Internet facilita um pouco as coisas. Mas não é igual, claro.

Por causa de questões legais, normalmente não dá pra ficar muito tempo no mesmo país (só ilegalmente, o que não é recomendado). Por isto, é mudança toda hora, até por questões de custo (passagens, especialmente). E, em cada lugar novo, é preciso começar a aprender quase tudo do zero – transporte, moradia, alimentação, dinheiro local, cultura, pessoas, estilo de trabalho.

Outra coisa que nem sempre é fácil de encarar é a instabilidade. Nem sempre tem trabalho. Às vezes, se passam dias ou semanas sem nada. O fato é que a concorrência é muito grande. Em boa parte das cidades por onde passei havia muitos modelos de diversos países, inclusive do Brasil. É comum você chegar para um casting (teste) e ter uma boa fila deles.

E nem sempre o modelo se encaixa do perfil de clientes da agência. Por exemplo: se ela se sai melhor com modelos de mais idade e você for mais novo pode ter dificuldades em conseguir trabalhos. Ou o cliente quer uma campanha mais extrovertida e você tem um perfil mais “sério”. São muitas as situações para conseguir – ou perder – um trabalho. Mas com o tempo a gente vai aprendendo onde podem existir as melhores chances.

Enfim, o modelo tem que ter uma boa dose de espírito de aventura, coragem, determinação e se sujeitar a momentos de angústia, solidão e até de frustração.

Claro que também tem o lado bom, como conhecer pessoas, lugares, culturas. É uma ótima “escola” na prática.

RE QUAL A IMPORTâNCIA QUE A RELIGIãO FEZ (E FAZ) PARA VOCÊ NO SEU AMBIENTE DE TRABALHO?

William – Acho que a fé cristã tem sido um grande esteio para mim. Ela tem me dado forças para seguir em frente, especialmente naqueles momentos de maior angústia por algum motivo – como a distância da minha família ou alguma frustração.

Para viagens pra outras cidades ou países, também pode ser que você fique sabendo dos detalhes básicos com bem pouca antecedência. Lembro agora: há algumas semanas eu estava em Milão. De lá, fui fazer testes para desfiles da semana de moda em Paris. Feitos os testes, fiquei aguardando no hotel a orientação da agência de Paris para o meu retorno a Milão (aeroporto, companhia aérea, voo, etc.). Só recebi as informações da viagem umas poucas horas antes – e me mandei para o aeroporto. Não adianta ficar nervoso!

Outro exemplo, que estou vivendo hoje, 17 de setembro de 2012. Estou em Nova York novamente, há cerca de um mês. Acabei de fazer a semana de moda pra primavera 2013. O planejado agora é eu ir para uma temporada de dois meses no Japão. Só há alguns dias recebi da agência de Tóquio os papéis para encaminhar

o visto (o que fiz na sexta, 14). E era pra eu viajar para lá na segunda, 17. Mas o visto só deve sair lá pelo dia 19 ou 20 – e ainda pode ser negado. Ou seja, sem garantia do visto, não dá para a agência comprar a passagem; e quando for comprar, se tudo der certo com o visto, certamente terei poucas horas antes do embarque. Pode ser que o visto saia pela manhã e o pessoal da agência me coloque em um voo do começo da noite. A mala precisa estar quase sempre pronta!

REÉ POSSÍVEL TESTEMUNHAR A PALAVRA DE DEUS PARA SEUS COLEGAS DE PROFISSãO?
William – Quando é possível dá pra falar alguma coisa ou demonstrar a fé. O meio da moda é um dos mais democráticos, no sentido de abrir espaço para tudo que é tipo de orientação pessoal em termos de estilo de vida, religião, sexualidade, etc. Assim, é comum que todos se respeitem e ninguém seja ostensivo no sentido de interferir na vida ou preferência do outro. Tanto que aceitam tranquilamente quando digo que sou cristão, e não acho que tenha perdido algum trabalho por conta disto. O que pode acontecer é a gente sofrer algum “prejuízo” pelo fato de, em função de certos valores (como não consumir drogas) a gente se isolar um pouco de certas pessoas ou ambientes.

REQUAIS SÃO OS SEUS PLANOS PROFISSIONAIS FUTUROS?
William – Eu ainda não sei ao certo. Quando você começa cedo nesta profissão, o que é o normal, você para de ter contato com o estudo e acaba nem pensando muito no futuro em termos profissionais. O que você sabe é que, para maioria, é uma profissão de prazo limitado: em breve tudo vai estar terminado e irá começar a etapa de recuperar o que ficou pra trás. Também não sei até quando vou modelar. Tudo vai depender de uma série de fatores. Pode ser daqui a um ano ou quando eu tiver uns 24 ou 25 anos, provavelmente já terei tido boas condições de saber quais são os meus limites em termos de carreira. Os resultados é que ajudarão a determinar o caminho. Deus está dirigindo a minha história.

REQUAIS SãO OS SEUS CONSELHOS PARA QUEM DESEJA SEGUIR ESTA PROFISSÃO?
William – Bem, acho que a primeira coisa é resolver a questão com você mesmo e a família. Tem que ter apoio da família, até porque normalmente tudo começa cedo. E como é comum sair de casa pra morar sozinho ou com outros modelos, é preciso ter a confiança da família, já que ela normalmente não vai estar por perto. Eu fui para Milão com 17 anos pra ficar três meses e acabei ficando sete. Qual é o pai ou a mãe que não fica apreensivo, especialmente no começo, de uma realidade assim? Outra coisa é a agência. “Olheiros” andam por todos os cantos. Só que alguns deles apenas querem levar as pessoas para agências onde o foco principal é vender “produtos”, como “books”, viagens, etc. Já outras agências não administram de fato a carreira, mas apenas “repassam” modelos para agências maiores – e com isso têm direito a eventual lucro de trabalhos futuros por serem a “agência mãe” (quem “descobriu” o modelo).

Grosso modo, uma agência recomendável é aquela que é conhecida no mercado e tem condições de gerenciar a carreira. Para isso, ela precisa de profissionais da área, pois tudo é muito profissional. Ela precisa saber estabelecer parcerias e contratos com agências de outras cidades e países, pois são elas que fazem o trabalho de agenciamento local. Sempre que viajo, em cada base fico vinculado a uma agência local, previamente “acertada” com a minha agência de São Paulo. E isso é importante. Pode ser que uma agência local mantenha você entre seus modelos e algum cliente veja a sua foto e queira chamá- lo para algum trabalho.

O cuidado com a alimentação e o corpo é muito importante para um modelo. O mundo da moda tem padrões bem fixos e é você que tem se encaixar nele, e não o contrário. É você que tem de “servir”, e não a camisa. Claro, pequenos ajustes são feitos. Mas imagina um desfile com 20 modelos e cada um de “tamanho” diferente.

A mesma coisa com a aparência: não dá pra ir fazer um casting ou um trabalho com cara de balada. Você se desqualifica rapidamente, não importa o quanto você tem capacidade.

E algo muito importante: o modelo precisa ser bastante independente, ser responsável e ter iniciativa. Com você fora de casa, não vai ter mais ninguém por perto pra acordar, mandar ir, levar ou buscar ou fazer chegar no horário combinado. Não vai ter alguém para arrumar a mala, cozinhar, lavar a roupa…

Você pode chegar hoje em Paris e amanhã ter três castings pra fazer. Se você quer ter chance de conseguir um trabalho, precisa dar um jeito de ir até eles, mesmo que nunca tenha estado na cidade e não tenha a mínima ideia sobre ônibus, trem ou metrô. A agência normalmente só dá o endereço. Você tem de se virar.

O modelo precisa se organizar para estar sempre em prontidão. Na maioria das vezes, o responsável por castings da agência que cuida de você só avisa poucas horas antes qual é o teste e onde ele vai acontecer. Tipo de um dia pro outro. E não poucas vezes é no sábado ou no domingo. Se você tinha programado um belo passeio, pode ser que ele não role…

RE QUAL É O SEU RECADO PARA ALUNOS DA REDE LUTERANA DE EDUCAÇÃO – ANEL?

Wiliam – Aproveitem bem o investimento de tempo e dinheiro que os pais e vocês fazem. Também aproveitem o fato de estarem estudando em uma escola confessional para aprender bons valores, pois eles ajudarão a fazer a diferença profissional no futuro. Acredito que as escolas ligadas à ANEL tenham valores com os quais eu convivi nos colégios onde estudei.

Por fim, pode parecer bobagem, mas dou o recado: estudem o inglês o máximo que puderem. Eu já estive em diversos países e experimentei o quanto ele é importante – para a carreira de modelo ou qualquer outra.

William é filho de Stael Witt Jagnow, professora de Língua Inglesa, e Dieter Joel Jagnow, pastor e jornalista da Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Atualmente residem em Ribeirão Preto, SP. Seu irmão, Fábio, é bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras e estuda na California State University, em Chico, EUA.

Currículo

2008 Aos 15 anos, participou da etapa gaúcha do concurso Elite Look of the Year, ficando entre os finalistas. Participou da final brasileira em São Paulo, de onde saiu com uma proposta de contrato de trabalho com a agência Elite de São Paulo, indo para lá aos 16 anos.

2009 Passou a integrar a agência Super Agency de Porto Alegre. No mesmo ano, classificou-se para a regional paulista do concurso Ford Super Model. Em seguida, começou a ser agenciado pela Lumière Models Management, de São Paulo, onde permanece até hoje. Por meio desta agência, realizou trabalhos editoriais e teve participações em desfiles no São Paulo Fashion Week e no Rio Fashion, em janeiro de 2010.

2010 Foi neste ano que teve a primeira experiência no exterior. Ficou 7 meses em Milão, também fazendo trabalhos na Alemanha.

2011 Foi para a Ásia por 9 meses, trabalhando em Singapura (dois meses), Seoul, na Coreia do Sul (três meses) e Hong Kong (dois meses). Também fez trabalhos nas Filipinas e em algumas cidades da China.

2012 Neste ano ele já passou por Nova York, Milão, também fez a semana de moda de Paris. Depois, voltou para Nova York para o lançamento das coleções para primavera 2013. Quando a entrevista foi feita (17 de setembro), ele estava se preparando para ir à semana de moda de Tóquio. A ideia é voltar ao Brasil no final de novembro.

Super Agency

Depoimento da representante da Super Agency

Antes do William efetivamente começar a trabalhar como modelo, a mãe veio nos conhecer e fez todos os questionamentos necessários e possíveis, o que me mostrou um diferencial enorme: uma família preocupada com o futuro do filho e sua segurança, mais que tudo.

O Will logo nos cativou com seu jeito espontâneo e querido, sempre, além de LINDO e querido no relacionamento conosco, foi muito empenhado e seguia as indicações e orientações que dávamos, e apesar de muito novo quando começou (um menino), já tinha uma personalidade definida e valores bem claros, o que é fundamental para não se deslumbrar com promessas vãs e com as futilidades as quais também estaria sujeito. Tanto o Dieter, seu pai, quanto a mãe Stael e o próprio Will sempre confiaram no nosso trabalho e nos questionavam a cada novo passo; essa relação de confiança e a não urgência em resultados são fundamentais.

Dicas para quem quer seguir a carreira

A nossa grande dica para que está começando na carreira de modelo é essa: certifique-se de quem são as pessoas que estarão orientando seu futuro, conheça o trabalho dessas pessoas e empresas, confie, questione, prepare-se física e psicologicamente e saiba que como toda carreira sólida, seu sucesso não será obra do acaso e nem virá da noite pro dia.

Nós da Super Agency acreditamos em relações de parceria e trabalhamos com agências parceiras no Brasil e no exterior – a carreira do William é um exemplo da nossa forma de trabalho.

Por: Nadia Lopes | Super Agency

Authored by: natanael

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