Bons modos ainda estão na moda?

Bons modos ainda estão na moda?

O termo bons modos parece ser sinônimo de regras de etiqueta. No entanto, não o são. O primeiro refere-se ao conjunto de regras da boa educação e da civilidade. O segundo soa incompatível com a informalidade dos dias atuais. Bons modos constituem uma forma positiva e saudável de se relacionar socialmente. É importante, pois, distinguir normas que devem ser praticadas porque melhoram as relações interpessoais de regras de etiqueta, muitas delas excessivas e anacrônicas na pós-modernidade. É comum se alegar que o pouco tempo de convívio familiar impede ensinar o que nossos pais e avós não titubeavam em exigir. O que se precisa compreender é que a melhor forma de ensinar nossos filhos (ou alunos) a serem gentis e educados é sermos nós próprios gentis e educados. Pais que se agridem e não se respeitam dificilmente terão sucesso ao ensinar o que eles próprios não utilizam. O exemplo continua sendo o melhor método de ensino…

Quanto à questão “tempo”, não é necessário muito para que as crianças percebam a forma de se relacionar em família. Bastam o jantar diário e os fins de semana conjuntos para que entendam os bons modos. É preciso, porém, que os pais tenham realmente esse tipo de conduta e o vejam como objetivo a ser alcançado. Porque assim, sempre que a criança interromper uma conversa ou comer com a mão, automaticamente será lembrada disso. Cada oportunidade será utilizada para formar o hábito.

Evidentemente é preciso ter em mente que isso tudo é importante – afinal criança educada é uma gostosura, não é mesmo? – mas não deve se tornar obsessão. Um pouco de sujeira não faz mal a ninguém e não deve ser confundido com falta de modos. Amarrotar e manchar a camisa rolando na terra não tem nada a ver com falta de civilidade ou de educação. Distinguir as duas coisas é importante para não cairmos no exagero.

A função brincar – e se sujar – faz parte de uma infância bem vivida e é essen- cial para futuras aprendizagens. Portanto, ensinar bons modos é importante, mas sem compulsão, aos pouquinhos, pelo exemplo antes de tudo, conversando com amor e afeto, e repetindo muitas e muitas vezes. Alguns anos de trabalho constante farão com que as crianças interiorizem os conceitos que lhes tentamos passar.

A distorção conceitual do termo, entendido como esnobismo ou superficialidade desnecessária, levaram algumas famílias a abandonar o seu ensino. O que é uma pena, mas pode perfeitamente ser revisto e refeito. Afinal é tão mais agradável começar o dia ao lado de pessoas que trazem um sorriso (perfumado!) e um “bom dia”nos lábios e terminá-lo com um aconchegante abraço acompanhado de um simples “boa noite”…

Duvido que alguém negue que assim se vive melhor!

Authored by: taniazagury

Mestre em Educação, filósofa e escritora, autora de 21 livros, entre os quais “Limites sem Trauma” e “Filhos, Manual de Instruções”.

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