Quem deve comer o melhor pedaço de carne?

Quem deve comer o melhor pedaço de carne?

Quem deve comer o melhor pedaço?

Quando eu era criança, não podia comer o melhor pedaço de carne porque este era reservado para os pais. Agora que sou adulto, continuo não comendo o melhor pedaço porque o mesmo deve ser dado para os filhos.

Ouvi esse depoimento de um pai que, em uma conversa informal, procurava ilustrar a inversão de valores ocorrida na relação entre pais e filhos nas últimas décadas. Pode ser que para muitos filhos da era digital tal afirmação não faça sentido. Entretanto, creio que para uma parte significativa daqueles que estão na condição de pais dessa nova geração, tais palavras soam como a fiel descrição da sua realidade. Será isto uma novidade no complicado universo das relações humanas? A história demonstra que não, razão pela qual se justifica a permanente abordagem desse tema.

O texto bíblico de Provérbios 19.26, por ter sido escrito no período histórico anterior ao nascimento de Cristo, atesta a antiguidade do problema. Ao afirma que “o que aflige o seu pai, ou manda embora sua mãe, é filho que traz vergonha e desonra”, o escritor está demonstrando que esta era uma situação igualmente presente naquele contexto social. O que fazer então? Se o problema é tão antigo, haverá solução para ele?

Os princípios cristãos que norteiam o trabalho das escolas da Rede Luterana de Educação apontam para a solução do problema sempre que reafirmam que pais e filhos ocupam funções e espaços distintos na estrutura familiar, o que implica no exercício de papéis específicos. Se por um lado existe a orientação que diz “Filhos, o dever cristão de vocês é obedecer ao seu pai e à sua mãe, pois isso é certo”(Efésios 6.1), por outro, existe também a recomendação para que os “pais tratem adequadamente os filhos, não fazendo coisas que os irritem, mas criando-os com a disciplina e os ensinamentos cristãos”(Efésios 6.4).

Assim como no ambiente escolar, na família também existe a permanente tensão entre autoridade e afetividade. Estes aspectos são complementares – e não reciprocamente excludentes – no processo educativo. Onde um se sobrepõe ao outro, ali se estabelece a confusão.

A terceira edição da Revista EscoLar tem, entre outros, o objetivo de auxiliar educadores e famílias a caminharem na direção de uma ação educacional equilibrada, na qual o afeto e a autoridade sejam salutarmente compartilhados, e não disputados ou divididos, a fim de que se possa saber definir com clareza, a cada momento, quem deve ficar com o melhor pedaço de carne.

Authored by: natanael

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